quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2010



Definitivamente o natal perdeu seu brilho depois que minha avó faleceu há 24 anos. Foi perto do natal e ainda lembro os detalhes. Não fosse o jantar em casa, no dia 24, com todas nós – quase uma questão de honra para mãe – era somente mais uma data.

Ano novo é diferente. Adoro! As expectativas, as oportunidades, as novidades. Todas as coisas tem aquele cheirinho de “tudo vai dar certo”. Uma voz não sei de onde sempre me diz. Muitas vezes até demoro entender isso ou desacredito. E, no final, acontece.

Esse foi um ano muito bacana em muitos aspectos. Profissional, acadêmico, pessoal. Trabalhei muito mesmo e pude exercitar as várias facetas do jornalismo com variadas áreas: escrevi sobre decoração, moda, tecnologia, cidadania, educação, engajamento social. Finalmente ganhei um dinheirinho, embora não tenha investido em nada. Comprovei que é possível sim trabalhar no que se gosta e ter retorno financeiro. Ah, ainda fiz projetos de pesquisa, entrei nesse seleto mundinho acadêmico. Ingressei no segundo curso de pós graduação e minha turma é inconfundivelmente maravilhosa, formada por tantas – e diferentes – cabeças que enriquecem as aulas de maneira sem igual.

Também montei projetos pessoais com bons parceiros, “de pedra e de cruz”. Alguns ainda não conseguiram sair do papel, outros foram alterados e voltaram às gavetas. Minha rede de contatos sempre aí, firme e forte. Sempre me ajudando. O que seria de mim sem meus amigos, novamente. Foi um ano muito bom. Do jeito que eu gosto: com muito trabalho e um pouco de diversão, porque ninguém é de ferro. Conheci cidades históricas das Minas Gerais. Divisor de águas do meu ponto de vista histórico e social.

Mas, logicamente, nem tudo foi alegria. Também perdi amigos. E mais: mães de amigos que sentia um pouco minhas mães também. E o tempo nos ensina, nos ensinará sempre a superar, por mais reais que pareçam as dificuldades, as tristezas, as dores.

E, para minha surpresa, fechei o ano com o presente de ter encontrado uma pessoa muito especial. Uma relação bacana, madura, inspiradora. Quando não procurava, quando andava assim, digamos, “meio desligada” (ou destreinada, sei lá). Alguém que vai merecer uns textos aqui logo em breve.

Escrevi somente dois pontos como metas para esse ano que acaba e não cumpri. Realizei outras coisas, tão ou mais bacanas quanto. Esse ano resolvi não fazer lista alguma. Quero é viver um dia, outro dia, mais um dia...

Escrevendo minha retrospectiva, mais uma hoje porque na programação das TVs é só o que tem, passou um filme. Com altos e baixos, como tudo na vida. Mas, logo vem aquela sensação gostosa de começar tudo de novo.

E, para vocês amigos, muita saúde, muita paz. O resto a gente pega na unha!

Feliz ano novo!!
Um 2010 assim, pleno do que você quiser....

sábado, 26 de dezembro de 2009

Universo das letrinhas


Uma constatação do tempo. É fato que Gabriel está crescendo. Há uma semana comemoramos sua formatura na alfabetização! Que emocionante! Vídeos, fotos, risadas, momentos de sala de aula. Ele parecia se divertir bastante nas imagens. A verdade é que essa escola que está agora foi escolhida por ele. É como se tudo lá fosse uma grande brincadeira.

Mas essa nova etapa me remete a muito mais coisa: uma fase em que tudo se torna mais interessante pela própria compreensão agora. Tudo é passível de leitura. E assim ele o faz. Lê tudo. Se interessa por tudo. Conseguimos mostrar a ele o prazer da leitura e é gostoso participá-lo nesse mundo.

Penso nas pessoas que não conseguem enxergar isso, até porque não tiveram essa oportunidade mesmo. Penso naquelas privadas de adentrar esse “mundo” por circunstâncias de sobrevivência, por exemplo, tiveram de parar de estudar em função do trabalho!

Ainda que não dê para garantir a leitura de coisas boas somente, seja muito bem vindo a esse universo encantador Biel!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Doação de jornal ajuda na sustentabilidade de projeto de coleta seletiva



Diz-se, no jargão jornalístico, que “as matérias de hoje embrulham o peixe amanhã”. O que você fez com seu jornal de ontem? O que vai fazer quando acabar de ler o jornal de hoje? Pensando nisso é que a Organização Não-Governamental Paciência Viva lançou uma campanha para o descarte consciente do papel-jornal (e também papel-revista). Com o slogan: “Doe seu jornal. Não custa nada, mas vale muito”, uma iniciativa inédita na Bahia, a ONG leva a discussão para dentro das redações dos veículos de comunicação, sobretudo mídia impressa. A campanha integra o Projeto Ação Reciclar e movimenta agora os centros de informação da capital baiana, ressaltando o papel esclarecedor e formador de opinião do jornalista.

“Doe seu jornal” apresenta uma solução para o descarte impróprio do papel-jornal e papel-revista e, consequentemente, agrega valor ao resíduo, viabilizando a pesquisa e produção dos chamados biopotes para o plantio de árvores. Esses utensílios não agridem a natureza, como os plásticos comumente utilizados para o cultivo das sementes. Somente na capital baiana, cerca de 16 mil toneladas de papel-jornal são descartadas mensalmente de maneira imprópria, agredindo o meio ambiente, deixando de gerar renda, reforçando assim as estatísticas da desigualdade social.

A meta é coletar 80 toneladas de papel jornal por mês. A medida visa assegurar não somente a diminuição do impacto ambiental, mas também, a (re)inserção econômica e social dos catadores com a formação de uma Cooperativa de Catadores de Produtos Recicláveis e alcançar a sustentabilidade do Projeto Ação Reciclar.

Além da participação especial do ator Wagner Moura, a campanha conta com a parceria de grandes veículos de comunicação como Grupo A Tarde; Rede Social Bahia; Irdeb; Band Bahia e Band News; Tribuna da Bahia; TV Aratu; Grupo Bahia; Central de Outdoor, e ainda o Instituto Ecodesenvolvimento. Para tanto, estão em funcionamento os postos de coleta em alguns dos grandes centros de convergência na cidade para doação de jornais a exemplo dos Shoppings Piedade e Salvador.

Através de um convênio com o Governo da Bahia, por intermédio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), o Programa de Educação Ambiental (PEA) da ONG Paciência Viva está presente também nas principais escolas particulares de Salvador, com a realização de diversas atividades lúdicas e pedagógicas. Sartre COC, São Paulo, Anglo Brasileiro, 2 de Julho e Faculdade Ibes/Facsal estão entre as instituições de ensino que já firmaram parceria com a ONG. Esses estabelecimentos, a partir de fevereiro, se tornarão postos de coleta abertos ao público em geral. Jornais e revistas podem ainda ser entregues na sede da Paciência Viva, no Rio Vermelho.

Visite nosso site: http://www.pacienciaviva.org.br/
Participe da campanha!
Colabore doando jornais e revistas.

 
Fonte: release enviado aos meios de comunicação em Salvador

Exercitando a cidadania

Há uma semana um amigo, fazendo uns cálculos com base nos meus nascimento e nome, me disse que sou uma pessoa com muito amor no coração, muito amor pra dividir e por isso minhas atividades estariam sempre ligadas a alguma causa. Na hora até achei graça porque para mim cooperação é algo atávico, que “veio de fábrica”, sabe como é?! Jamais consegui entender as pessoas que não se predispõem a ajudar. É que cada um faz à sua maneira, lógico, mas não fazer sempre me pareceu absurdo. De mais a mais, fui criada com muito amor, muita atenção, seria no mínimo estranho agir de outra forma.

Coisas que Henrique dissera fizeram um sentido que ainda não tinha me dado conta. Olhando o histórico de alguns trabalhos, nos quais me realizei – ainda que não financeiramente, quase sempre – me sinto realmente bem numa atividade que faça diferença na vida de outras pessoas. É bom (com)partilhar, ensinar, colaborar. É bom saber que contribuo para melhorar a vida de alguém, de alguma maneira. Dá uma gostosa sensação de coração aquecido!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mais um lamentável troféu


Já era quase final dos jogos quando resolvi ver as partidas de futebol do campeonato brasileiro. O Palmeiras, único time para o qual eu torceria, depois de seguir bem todo o Brasileirão viu o título escorrer entre os dedos. Fazer o quê? E pior: nenhum time baiano no páreo, sequer um nordestino pra contar história!

Flamengo levou e se tornou hexacampeão, após 17 anos. Na outra ponta do campeonato, o sofrimento dos times rebaixados. Fanáticos aos prantos. Coritiba, o mais atingido, talvez em função do centenário comemorado ano que vem, tinha alguns dos torcedores mais exaltados. Eles deixaram de lado o entretenimento do futebol e apelaram para violência, invadindo o gramado, agredindo jogadores, árbitros e outros funcionários do estádio. A polícia entra em campo. O que se seguiu foi guerra. Gente ferida, helicóptero no meio do estádio, atendimentos de emergência. Lamentáveis cenas que certamente estarão estampadas nos noticiários internacionais. Nenhum veículo irá perder a oportunidade de exibir como os torcedores se comportam no país que sediará uma copa do mundo em alguns anos.

Definitivamente lamentável!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Peles de ébano nas segundas conscientes

Voltava eu do bate papo que encerrava as Segundas Literárias – acho que foi esse o nome que deram – no auditório da Biblioteca dos Barris. Foram eventos que integraram o mês em homenagem à Consciência Negra. Pena que só ouvi sobre as apresentações hoje e perdi as outras segundas. Entretanto, talvez tenha comparecido à melhor delas, nem tanto pelo tema, mas pelos “palestrantes”: prof Doutor Ari Lima, que já conhecia da UNEB, e Lazzo Matumbi, cantor “de voz cheia”, intérprete e compositor. Um cara que sou fã desde os tempos de piveta na Cardeal da Silva. Opa, que gafe. Tinha também o Dão. Anderson, cantor e intérprete que ainda não escutara falar, embora tenha ficado muito impressionada com seu timbre de voz e simplicidade.

Era para falar sobre a música negra, história, mercado, Salvador, Bahia, mas, com todos os envolvidos engajados, ficou difícil não adentrar outras questões cotidianas pelas quais passamos nós, os que têm “pele de ébano”, aqui na soterópolis. Como de costume, infeliz costume, aliás, havia pouca gente. Nem vinte. Sem essa de tentar ver um outro lado: é segunda-feira, meio da tarde. Não sei dos outros dias, talvez um público maior antes do vinte de novembro.

Lazzo convidou os que estavam sentados lá ao fundo, assim como eu, para chegarmos mais perto e transformou o que seria palestra num grande encontro, um papo informal entre amigos. Tivemos, claro, uma canja do “jeito que todos nós gostamos”. Continuo encantada pelas possibilidades que ainda temos, nós. Pelos representantes sérios e compromissados que temos, nós. Pela maneira consciente com a qual nos fazem parte de, nos inserem na luta de todo dia para garantirmos um direito simples: RESPEITO.

Quero mais novembros, já que nos fazemos ver mais esse mês, até que se esgotem as possibilidades. Quero mais Lazzos, Dãos, Aris, e, por que não, Rais nas ruas impondo respeito pela capacidade e, de quebra, mostrando a cor da pele de ébano porque é inegável que é bonita mesmo, né não?!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Palco

Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver

Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor

Fogo eterno prá afugentar
O inferno prá outro lugar
Fogo eterno prá consumir
O inferno, fora daqui

Venho para a festa, sei que muitos têm na testa
O deus-sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro, quem manda é Deus a música
Pedindo prá deixar, prá deixar
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar
Lá, lá, iá
 
Gilberto Gil

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ele merece


E depois de duas semanas de planejamento, deu tudo certo nas duas festas de aniversário de Rafael Vasconcelos, o Rafa. Ele bem mereceu o bolo na sexta e a mensagem ao vivo no sábado. Toda vez que precisar, cá estaremos organizando algo pra levantar sua bola, cara...
Lá vai um recorte da cartinha de agradecimento.


Carta de Rafa.
“O que dizer sobre a sexta e o sábado: sobre a sexta, para vocês pode ter parecido insignificante aquele simples bolinho (xôxo), quem convive comigo a mais tempo sabe que o que mais admiro não só nas pessoas, como também nos gestos é justamente a simplicidade, isso me dá uma grande satisfação, o simples fato de lembrarem (mesmo forçadamente rsrsrs) do meu aniversário, isso pra mim vale mais que mil presentes.... Sobre o sábado, sinceramente, desconfiei do fato de irmos ao Terapia, mas jamais me passou pela cabeça aquilo, até porque tinha prometido a minha comparsa Rai (com certeza tem culpa disso até a alma ( Déh, vc também viu) ( Carol até vc Flor......) ) uma dose de Abaíra (que tomamos), e outra confissão: quase chorei viu, nesse ponto sou igual a minha mãe, uma manteiga. Mas essa data é uma data que me trazem lembranças de pessoas siginificativas, pessoas as quais adoro e uma que não está mais presente, e naquele momento senti sua presença que era meu vô, mas seria um mico ainda maior. Devo render meus parabéns a Carla, pessoa que desempenha um papel de atriz muito bem, me enganou perfeitamente, logo eu que sei de tudo escapou de mim esse controle, hj vendo os e-mail's da operação, me acabei de rir. Gente eu só tenho a agradecer a todos, os pequenos gestos dirigidos a mim nesse pouco tempo de convivio, adoro quando chegam as sextas e sábados, que sei que irei encontrar pessoas magnificas, e que pretendo ter sempre que possivel o contato.”

O que dizer a esse comparsa? Disponha.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Na crista da onda


Nas proximidades de mais um vinte de novembro. É como se descobrissem que aqui estamos, pulsantes, vivos e ávidos. Bairristamente falando, temos ainda pouco a ser comemorado. Recebi um boletim especial do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese, no qual, asseguram os especialistas, que “a presença negra na População Economicamente Ativa – PEA em 2008 alcança 85,4% do total, cerca de 1,567 milhão de pessoas”. Mas, me desculpem os senhores pesquisadores, somos maioria. Era um resultado de se esperar, ou não?

Também, segundo a pesquisa intitulada de Os Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de Salvador, embora sejamos esmagadora maioria, “a população negra ainda encontra dificuldades de inserção no mercado de trabalho, considerando a maior presença no contingente de desempregados. Além disso, para a parcela de negros que consegue uma ocupação, com freqüência ela se dá em setores e posições em que a ausência de proteção social é maior, os rendimentos são menores e as jornadas mais extensas. Situações que elevam a instabilidade e a precariedade desse grupo populacional no mercado de trabalho.”

Mas, ainda de acordo com o boletim, “entre 2004 e 2008, o aumento da participação de negros em setores mais estruturados, a melhoria nos níveis de rendimento e a diminuição do contingente na condição de desempregados contribuiu para uma ligeira melhora na composição da ocupação, fato reforçado pelo aumento da proporção da contratação formal, isto é, com carteira assinada, que amplia o acesso aos direitos trabalhistas e previdenciários. A repercussão desses fatos manifestou-se no crescimento do rendimento médio real dos negros (13,9%) numa proporção um pouco maior que dos não-negros (12,3%).”

Minha visão míope ainda não alcançou essas mudanças no cotidiano. Em contrapartida a essas “conquistas”, vergonhosamente o nosso 20 de novembro ainda não merece um feriado municipal. Daqui, da capital mais negra fora de áfrica, é uma lástima. Ainda ontem, tivemos protestos no centro da cidade e conseguimos um box – texto curto em caixa pequena – nos jornais. As palavras de ordem chamavam atenção para o racismo velado presente em muitos setores da sociedade baiana. No início da semana assistia uma entrevista da juíza baiana Luislinda Valois, primeira juíza negra brasileira, que dizia da dificuldade em ser negra na Bahia e do apoio que encontrou – e ainda encontra – em Curitiba. Seu livro, editado este ano, foi publicado com a ajuda de pessoas comuns e políticos daquela cidade. Um contrasenso.

Esses dias minha irmã, que eu julgava ser completamente desantenada politicamente, me questionou das campanhas que surgem essa época do ano, o chamado novembro negro. “Um dia só, que diferença isso faz? E nos outros 364?”. Confesso que fui tomada por sentimentos misturados: primeiro fiquei feliz ao pensar que essa poderia ser uma constatação comum a muito mais pessoas. Depois veio o desapontamento porque não tinha argumentos para apresentar a ela. O que diria eu? Convenceria ela ao dizer que nossos passos são sempre mais largos? Projetos e políticas públicas para a comunidade negra estão sempre em pauta, e sempre a espera de votação?

Não é que eu veja só o lado ruim ou que não anda. "Catando" bastante dá para pontuar umas coisas bacanas também. Algumas são perceptíveis como o efeito Taís Araújo e Camila Pitanga. Protagonistas nas novelas globais de 20h e 18h, respectivamente, as cabeleiras cacheadas das musas andam fazendo sucesso e cabeças nos mais badalados coiffers da cidade. Percebo ainda a ascensão de personagens negros no folhetim das 19h, enfim.

Também me sinto feliz em olhar minha turma da especialização. Somos quase 30. Diferente do que aconteceu há cinco anos, lá na graduação – onde éramos 45 em sala, e havia 5 negros, num curso particular –, posso dizer que é um grupo bem dividido. Com a cara e as cores da população brasileira.

Sinal amarelo

Até então, esse foi o final de semana mais violento do ano em Salvador e região metropolitana: 26 mortes. Crime passional, o chamado acerto de contas, violência doméstica, latrocínio. Os mais variados motivos. Uma especialista, a pedido de um veículo de comunicação, analisou os casos e a graduação da violência na capital baiana e constatou: “dessa maneira hoje as pessoas resolvem tudo. Está muito fácil matar.” De que forma soa um pensamento desses na sua cabeça?

sábado, 14 de novembro de 2009

Lavagem Cerebral

Racismo preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Não seja um imbecil
Não seja um ingnorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco?
Aliás branco no Brasil é difícil porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda então olhe pra trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura então porque o preconceito?

Barrigas cresceram
O tempo passou...
Nasceram os brasileiros cada um com a sua cor
Uns com a pele clara outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Negro e nordestino constroem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento
Ou que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
Um sujeito com a cara do PC Farias?
Não, você não faria isso não...
Você aprendeu que o preto é ladrão
Muitos negros roubam mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não para pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Qualquer tipo de racismo não se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo é racista mas não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

E se você é mais um burro
Não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você!

Gabriel, O Pensador

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Divã

Hoje fui ao cinema porque sinto que estou surtando. Depois de quase três semanas escrevendo projetos para mestrado e artigos, precisava oxigenar as ideias, a cabeça. Precisava respirar algo não acadêmico. Quase 1 mês tentando entender porque algumas vezes na história o ser humano é tão perverso, tão orgulhoso de si mesmo e diminui, oprime e menospreza o outro.


Primeiro passo pra tentar amenizar: parei de assistir jornais. Ouço umas coisas vez em quando, mas, para uma jornalista viciada em notícia, isso é torturante. O problema nem é a quantidade de desgraça veiculada, mas compreender que isso é real e vai piorar. O problema é entender o processo todo até chegarmos a essas desgraças que vemos hoje.


Tava dando looping nas atividades e resolvi fechar tudo: notebook, livros, cadernos, guardei as anotações. Chequei pela internet, escolhi o filme, banho e rua.

Ainda no ponto de ônibus uma dessas cenas de telejornal sensacionalista. Ouvi gritos desesperados. Depois os pedidos de socorro e, de repente, sai um rapaz com o rosto ensangüentado. Ele apoiava a cabeça com as próprias mãos e corria sem rumo pela rua. Depois mais gritos. Uma mulher procurava a vítima, chamou um outro rapaz que passava de moto e seguiram, talvez para o posto de emergência da outra rua. Ela gritava que foi uma facada.


Nunca um ônibus demorou tanto. Logo os vizinhos se amontoaram na entrada do vilarejo. Mais gritos. Outro rapaz sai prometendo morte, o serviço ainda não tava acabado. Que cena. A polícia chega, mas parece desconhecer o fato. Os agentes na viatura pareciam só estranhar o movimento. Até onde ouvi é uma dessas confusões entre vizinhos que vem durando há algum tempo. Finalmente o ônibus!


No caminho fui pensando no que acabara de presenciar. Por que eles chegaram até ali, até aquele ponto (e que ainda não era o desfecho da história). Por que as pessoas andam verdadeiras bombas relógio?! Por que hoje é mais fácil atirar, puxar uma faca? O que foi mesmo que houve com o diálogo?

Um inseto por uma análise

Falando em surto. A ideia era ver Besouro. cada vez mais bairrista, assumo. Vou sempre preferir cinema nacional, sobretudo quando sai do eixo Leblon-copacabana-buzios-zona sul paulistana. Mas não rolou. Graças a Jah a sessão que queria estava esgotada e a próxima também! Era um festival de cinema. Anualmente alguém faz essa gracinha e você pode ver qualquer filme a 2 reais. No meu caso o problema maior sempre é montar um roteiro. Quando o assunto é cinema, sou do tipo tudo me interessa. Foram mais de 10 filmes, acho. Acabei vendo Divã, com Lilia Cabral como protagonista. Aliás, repetindo a dobradinha atual na tv, ela era esposa de Zé Mayer. Minha nossa, que criatividade!

Gostei do filme. A velha fórmula: depois de duas décadas de casamento, casa, filhos, amantes, acabou a vontade de estar junto. A frustração feminina, a busca por um outro cara que a compreenda, a amiga conselheira e feliz, blá blá e pingos dágua. Pode parecer, mas não é um filme chato, é até divertido. É ela contando essas e outras passagens a um analista.

Valeu também a trilha sonora. Muito boa. Uma mistura gostosa de músicas dos anos 70, 80 e atuais, como pra rua me levar com Ana Carolina. Tim Maia, Gal, Caetano. No final, acho que meu passeio saiu melhor que a encomenda. Precisava mesmo era rir.

Desconstruindo os muros

Com todas as matérias que ouvi hoje sobre os vinte anos de derrubada do Muro de Berlim, fiquei pensando nos outros tantos cercos existentes até hoje. Muitos sem concretos. Eis que uma das matérias especiais falava de como o mundo, globalizado como se apresenta, aceita a circulação de dinheiro entre os países, de mercadorias, mas não aceita o simples direito de ir e vir. Citaram Cuba.


Eu lembrei dos países africanos. Seus muros são mais altos, mais distantes, mais extensos, mais graves, mais excludentes, mais ferozes. Lembrei de outros países da Europa, a Espanha, por exemplo, que ergue seu muro aos brasileiros vez em quando com seus julgamentos arbitrários. Os muros erguidos aqui no Brasil, só para olhar para nosso umbigo: muros reais, que separam os condomínios das favelas, “o chão do asfalto”. Os muros dos shopping centers erguidos no meio das periferias, sem acesso aos moradores locais.


É muito muro! São muitas desconstruções a serem derrubadas. Tal qual Berlim há duas décadas, alguém precisa dar a primeira marretada.

Subtraindo os estereótipos

Gosto de novelas. Prefiro as de época ou aquelas levemente açucaradas: mocinha, bandidos, final feliz. Só podiam me poupar daquele bando de mulher grávida no final. Mas, vem no pacote, fazer o quê? Gosto também da produção global, não há como negar, os caras sabem fazer mesmo! Embora, tenha que admitir que a Record tá encostando e investindo pesado. O problema é que os enredos não acompanham o ritmo. Questão de tempo, creio.


Tenho visto quase assiduamente a trama das 19h – que agora é 20h – da globo. Aliás, venho assistindo desde o começo. Lembro que gostei da ideia de falar de arte nesse horário. Também achei curioso fazer um macaco pintar.


Agora, já na reta final, fico atenta aos estereótipos que ela traz. A informação que a população menos atenta consome. A ideia do macho provedor, passada por Gabriel; a empregada negra que servia de objeto sexual do patrão; o médico negro, mas envolvido em falcatruas; os baianos preguiçosos ou boa vida de sotaque horrorosamente inventados; a mulher de meia idade que não pode amar de novo porque “está velha”; o jovem negro, não aceito pela família da mulher, que quando faz amor com ela, abala as estruturas da casa; a jovem negra que mesmo depois de descobrir que é rica, continua correndo atrás do branco filho da ex-patroa.


Com tudo – e apesar disso –, é fácil assistir e extrair o entretenimento da trama. Gosto mesmo de quando o macaco aparece. Sempre dando nó nos seres humanos, que se julgam  tão espertos...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Travessuras, sempre! Do saci, de preferência!

Mais um final de outubro chegando e, novamente, as tais festas de halloween. Chega me dá gastura!


Até quando? Será mesmo que vamos continuar deixando nossas crianças aprenderem que o legal é sair fantasiado de bruxa, frankstein, vampiro, ou qualquer outra coisa sangrenta e feia, nascidos de uma história bizarra? Por que temos que assistir morrer as festas populares e seus personagens ricos, construídos de enredos curiosos tão nossos, cantados nas rodas de viola e divulgados de geração em geração?


O vinte e dois de agosto vai ficando cada vez mais presente somente nos calendários. Ah, se bem pudessem conhecer! Nos preparávamos para a festa desde o começo do ano e era bom ir organizando a fantasia, pensar nas comidas típicas, nos trajes, ensaiar as danças.


Cada criança que vejo se movimento para as festas de 31 de outubro, questiono: “você conhece nosso folclore?”. A surpresa é que a maioria diz que não. Não as culpo. Não têm sequer a oportunidade de conhecer outras coisas. Mais um enlatado empurrado goela abaixo na vida dos pequenos, legitimado pela escola e família.


Fiquem com suas bruxas, minha Iara é muito mais bonita e, definitivamente mais encantadora; fiquem com seu vampiro, seu frankstein! A história do lobisomem é mais instigante! Ainda tenho o boto-cor-de-rosa, o saci peralta. E nem falei das minhas festas de cores muito mais vibrantes e alegres, em vez do seu preto, laranja e roxo!


E, que tal minha rica culinária típica no lugar dos seus "doces ou travessuras"? Olha, não é querendo me gabar não, mas a minha festa tem muito mais nuances, muito mais alegria. Muito mais ziriguidum!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dé, valeu! Descobri que gosto mais que pensava.











Senhoras e senhores, com vocês, Rita Ribeiro!

No conforto dos teus braços

Oito horas de vôo num concorde,
Cinco dias num barco mar adentro,
Sete noites dormindo ao relento,
Sete ciganas lendo a minha sorte,
Quatro dias, em pé, no trem
Da morte,
Vinte léguas montado num jumento,
Sete mil flores no meu pensamento,
E eu trilhando os últimos espaços...

Pra ficar no conforto dos teus braços,
Qualquer coisa no mundo eu enfrento!


Valentia de pai ou de irmão,
Concorrência com o astro do momento,
Temporal, tempestade, chuva e vento,
Holocausto, hecatombe e tufão,
Desemprego, palestra e sermão,
Tititi, coqueluche, casamento,
Pé de ponte, mansão, apartamento,
Paparazzi, sucessos e fracassos...


Pra ficar no conforto dos teus braços,
Qualquer coisa no mundo eu enfrento!


Ladroíce, mutreta, malandragem,
Álcool, droga, barato, passamento,
Amnésia, larica, esquecimento,
Roubalheira e má politicagem,
Cabaré, palacete, sacanagem,
Fome, greve, motim,

Acampamento, confusão, batalhão, fuzilamento,
Reclusão, solidão, sonho,
Aos pedaços...


Pra ficar no conforto dos teus braços,
Qualquer coisa no mundo eu enfrento!

João Linhares

domingo, 25 de outubro de 2009

Eu, o ET

Roubalheira, desrespeito, falta de amor ao próximo, falta de cidadania, descuido generalizado. Já teve a sensação de estar tudo tão errado e - as pessoas achando tão certo - que a impressão é que você quem está fora de órbita, desconectado ou ultrapassado? Diria mano Caê: “alguma coisa está fora da ordem...!”

domingo, 18 de outubro de 2009

Faz-me rir

Com todos os ônibus queimados em Salvador e módulos policiais metralhados, com todo helicóptero abatido, policiais e civis mortos (quase diariamente) no Rio de Janeiro, com toda pane no sistema metroviário em São Paulo, com a dengue e meningite que voltam a aterrorizar norte e nordeste do país. Com todos os professores ameaçados em escolas públicas e particulares Brasil a fora. Com a educação cada vez mais desqualificada, com o trânsito caótico de cada dia, com os meninos aspirados pelo consumo fácil e rápido do crack no Pelourinho, Viaduto do Chá e Cracolândia (e quaisquer ruas e vielas do país!). Com tudo o que não nos chega via rádio, jornal impresso, web e televisão! Vamos sim, continuar a celebrar nossa conquista: que venha a copa! Que venham as olimpíadas!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O joelho gordo de Carol

Sábado, dia 10 de outubro. Um dia inteiro de aulas na pós bem no meio de um feriadão! O que acreditar na educação não faz, hein?!

No break após o almoço e antes da segunda etapa do dia, paramos para, digamos, filosofar um pouco. Meninos e meninas falando a respeito de seus corpos, seus medos e dúvidas. Que exercício delicioso para nós, mestres em potencial. Fomos desde trajes especiais para uma noite especial, até mitos e verdades ligados a tamanhos e funcionalidades.

Eis que, é claro, enveredamos pelas insatisfações femininas em relação a nossos próprios corpos: seios pequenos, bunda grande, testa enorme, gorda, magra. Milagres da cirurgia plástica. De repente, lançamos um bolão. Os lugares que tínhamos vontade de corrigir, por meio de cirurgia plástica. Daí uma louca grita do canto da sala: “eu sei que vocês não acreditam e vão dar risada, mas eu queria fazer cirurgia no meu joelho. Meu joelho é gordo!”. Ah, Carol! Depois do almoço?! Nem preciso dizer o que aconteceu, né?! Faz até mal rir tanto depois de comer. Prometi a ela um texto só para não perder a frase.

Depois, pensando no que sustentar o argumento depois da piada, analisei umas figuras que mexe e vira estão na tevê e cada vez mais desfigurados! Vá lá, cada um faz com seu dinheiro, seu tempo e saúde o que melhor convier, mas cirurgia é cirurgia! É como Natália colocou: se estamos satisfeitas com nossos corpos, ótimo!

Saindo da minha sala de aulas, lembrei de algumas figuras que se gabam pelas tantas cirurgias feitas. Na realidade se tornaram aberrações. Tem uma garota, que não vou lembrar o nome, que já passou por tanto procedimento desnecessário, com implantes de próteses de silicone nos seios que começou afetar a coluna. E, pasmem, ela só quer se manter no livro dos recordes! Já fez boca, algo mais no rosto, bumbum, contava ela num programa exibido no início do ano.

Olha, eu sei que não estou na melhor das formas, mas ainda assim pra vidinha que levo, sedentária, notívaga, adoro comer e adoro mais ainda a minha cama, estou bem. Não sei se pensaria em fazer algo na máquina 3.2 aqui. Pensem numa pessoa frouxa para essas coisas?

E, no final das contas, vai cair mesmo, é a ordem natural da coisas, já provara Newton, como não?!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Baby Sangalo já boicota Enem

Daria uma boa chamada, acho. Cada vez que leio uma nota sobre o filho de Ivete Sangalo – também conhecido como Marcelo – ou recordo o tempo que o assunto mereceu destaque na versão online de A Tarde, lembro do pito que levei de minha editora, nesse mesmo jornal. A essas alturas, ano passado, era repórter freelancer de A Tarde. Estava eu, cumprindo a pressão da minha pauta, escrevendo sobre um rapaz assassinado num bairro do Subúrbio, supostamente por policiais, quando alguém gritou que eu precisava checar uma informação mais urgente: Ivete Sangalo divulgou no site, no blog, sei lá, que estava grávida!

Na verdade, do jeito que o colega chegou falando, achei que fosse somente um comentário. Lembro que voltei a cabeça pra ele e disse: “sim, mas e daí?”. E ele: “e daí que isso é notícia!”. Eu, jornalista, não tiete: “ah, tá. Isso muda mesmo muita coisa! Inclusive tenho uma mãe aqui no telefone acusando um policial de ter matado o filho dela. Quer que eu diga a ela que Ivete tá grávida?”.

Daí já viu a confusão em que me meti, ? Veio a editora cobrar a informação, eu ainda atendendo aquela senhora sem ver muito sentido na proporção do alvoroço que minha negativa tomou. Até que outra colega, acostumada a lidar com as celebridades, assumiu a matéria. Aquilo virou o comentário do resto do dia mas eu, sinceramente, não esquentei. Recusei uma ordem que me agredia como pessoa, como cidadã.

É preciso ressaltar que não é que não goste de Ivete. Tampouco morro de amores! Até a considero uma artista excepcional: criativa, completa e carismática. Ela é desses tipos mão de Midas, a meu ver. É a exposição que me incomoda. Aliás, a procura de anônimos por essa exposição.

Me faz lembrar outro episódio absurdamente marcante na história da mídia brasileira: Ivete se tornaria quase uma outra Xuxa parindo Sacha. Guardadas as proporções, é lógico! Muito possivelmente o fato de ser uma nordestina aparecendo num esquema midiático tradicionalmente mantido no eixo centro sul, diminui a possibilidade de exposição no mesmo nível. Naquele ano, paralelo ao nascimento da filha da “rainha dos baixinhos”, conhecida também por Sacha, o sistema de telefonia nacional era vendido a preço de bananas, segundo especialistas. Apesar disso, o principal telejornal da noite, o Jornal Nacional, destacou o parto da apresentadora, bem como a estrutura que ela montou no hospital para abrigar amigos e parentes durante o período que ficaria internada. Pelo sim, pelo não, o fato é que hoje estamos entregues a uma prestação caótica de serviços telefônicos, sem fiscalização eficaz e cobranças absurdas em taxas e assinaturas.

O páreo para o bebê Sangalo foram as provas vazadas do Enem. No ano em que o exame passaria a ser adotado também como critério em algumas instituições de ensino superior e milhares de estudantes se preparavam para realização das provas, viajando para outras cidades inclusive, as questões do exame vão parar nos jornais. E é bom destacar que mais uma jornalista se sentiu incomodada com algum tipo de sujeira! Agora, quase vinte universidades se veem obrigadas a alterar o calendário de seus processos seletivos em todo país.

Uma das empresas participantes do consórcio responsável pela organização do Enem é baiana. A Consultec simplesmente se reservou ao direito de permanecer calada. A maioria dos jornais sequer pôde citar seu nome. Mas nem precisou. Ninguém nem lembrava que a CONSULTEC (gravem bem) tava no esquema porque baby Sangalo deu o ar da graça! Apareceram até falsas fotos do guri. Outro deslize de alguns colegas. A gente aprende, logo nas primeiras aulas, que checar a informação é vital no jornalismo. Mas, se até minha editora esqueceu isso, imagina! Nem vou citar o fato de alguns estudantes terem permanecido de plantão na entrada do hospital em vez de estarem preocupados com a fraude das provas.

Vale a ressalva, pelo amor de Jah: não tenho nada contra ou a favor de Ivete Sangalo, muito menos a seu filho. Aliás, desejo muita saúde e sorte a Marcelo, como a qualquer outro guri. Entretanto, infelizmente, é esse o mundinho que o aguarda. Que aguarda a todos nós. O mundinho em que as prioridades estão/são trocadas o tempo todo. Seja pela falta de humanidade, seja pela falta de cidadania, pelo lobby, pela politicagem descarada (escancarada e estampada), ou falta de ética, ou falta de respeito a privacidade, ou necessidade de (super) exposição, ou o espetáculo midiático de consumo, ou a corrida irracional da audiência, ou o quanto pior melhor, ou, ou...

domingo, 4 de outubro de 2009

La Negra II

Gracias a la vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado el oído que en todo su ancho
graba noche y día grillos y canarios
martirios, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abecedario
con él, las palabras que pienso y declaro
madre, amigo, hermano
y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos
playas y desiertos, montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano
cuando miro el bueno tan lejos del malo
cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto

Gracias a la vida, gracias a la vida
Violeta Parra

La Negra

Ouça Maria Maria, com Mercedes Sosa.

domingo, 27 de setembro de 2009

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DA 2ª TURMA DA ESPECIALIZAÇÃO EM ESTUDOS CULTURAIS DA UNIJORGE

E, depois de uma festa surpresa organizada pelos meus incríveis colegas de pós, tinha que fazer um agradecimento a altura da homenagem. Eis que enviei ao email do grupo as seguintes palavras:

Que pressão hein? Acharam até que fosse alguma bomba do MEC, né não?!
É que não poderia deixar de registrar minha emoção não somente pela festa surpresa, mas também por tê-los como colegas, companheiros dessa cachaça chamada educação. Acho mesmo que não há outro caminho pra amenizar essa loucura social que ora se apresenta! Afinal, que mais nos motivaria a deixar de lado a farra da sexta à noite e o sol do sabadão?


Não poderia agradecer um por um a meus colegas, fatalmente esqueceria alguém – visto que ainda não gravei todos os nomes –, o que seria uma injustiça sem tamanho. Agradecerei então nas pessoas de Rafael e Dedé (Débora), companheiros de paletada e fiéis escudeiros até na hora de pegar virose!!!

O curso demorou a sair, mas agora entendo o porquê (por que, porque, por quê, sei lá qual deles mais)! Sinto falta de colegas como Ligia, por exemplo. Oxalá nenhum mais nos prive dos pensamentos diversos e iluminados que fazem nossa turma ser o que é: única.

Brigadão gente!
Beijotchau!

Preparativos

Começou o ciclo de aniversários deste ano aqui em casa. Primeiro Gabriel, eu, Iza. Daqui dois meses, Dea e mãe. Já dizia Cazuza: “o tempo não pára. Não pára, não pára...!”

Ps. Por alguma razão não consigo colocar imagens nas postagens. Acho que é hora de mudar de endereço.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nuances

Uma carona na estação das flores. Aproveito cores, perfumes, sutilezas, vibrações.
Tudo é inspiração. Agora tenho mais.

Me exponho a esse momento mágico que é saber mais de ti: registros, gostos, canções.

Busco os sabores de tuas palavras, absorvo,
Fotografo em meu olhar as cores de tua tez.

Um tempo único em dégradé, sem ansiedades.

domingo, 20 de setembro de 2009

Meu bom começo de semana

Feliz

Para quem bem viveu o amor
Duas vidas que abrem
Não acabam com a luz
São pequenas estrelas
Que correm no céu
Trajetórias opostas
Sem jamais deixar de se olhar

É um carinho guardado no cofre
De um coração que voou
É um afeto deixado nas veias
De um coração que ficou

É a certeza da eterna presença
Da vida que foi
Da vida que vai

É a saudade da boa
Feliz, cantar
Que foi, foi, foi

Foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente amar

Gonzaguinha

“De lá pra cá, chicotada”

História é uma coisa curiosa. É viva, mutante, adaptável, conveniente. Tenho estudado cada vez mais, embora no meu ritmo, a distância entre o que nos contam do povo negro e sua real contribuição no contexto histórico em Salvador, na Bahia, no Brasil.

Sem perceber me cerquei de conteúdo especial e variado essa semana: tenho acompanhado o alarde feito pela mídia a respeito de uma protagonista negra, bem sucedida, numa novela de horário nobre; assisti o filme Vista Minha Pele e fui, finalmente, ver a peça O Dia 14. As coisas se entrelaçaram de um modo mágico e surpreendente!

Li matérias de mais de cinco canais diferentes, meios diferentes, inclusive. Desde a véspera de estreia da nova novela de Manoel Carlos em que traz Tais Araújo, como uma de suas Helenas, sempre personagem central de suas tramas, o assunto é tratado com entusiasmo e expectativa. Afinal temos num folhetim das 20h, na emissora mais rica de TV do país, uma protagonista negra, modelo de luxo e bem sucedida. Mas , só para não perder o costume, a irmã de Helena é uma criatura imatura, problemática e envolvida com um bandido. Estava mesmo tudo muito fácil, ? É só pra gente não esquecer!

Na quarta-feira, assisti ao espetáculo O Dia 14, dirigido por Ângelo Flávio e também encenado pelo meu amigo, irmão de alma e de luta, Cleiton Luz. Belíssima montagem. Aos trancos e barrancos foi apresentada ao público suburbano no Primeiro Festival de Teatro da região. Falar do dia 13 de maio, qualquer livro de história trata, mas, o dia seguinte parece que perdura até hoje. Então, após três séculos de trabalho, quando nos tornamos politicamente insustentáveis e inviáveis, somos jogados nas ruas, sem dinheiro, sem assistência, completos “invisíveis sociais” e nos amontoamos nas ruas e casebres dando início à favelização da cidade. A peça toda é muito bem costurada.

Não satisfeita, vejo o filme Vista Minha Pele, de Joel Zito Araújo. Na trama os papéis são invertidos: a sociedade de consumo é negra, os produtos são voltados para negros, as festas e homenagens nas escolas privilegiam os negros e os brancos são discriminados e passam sufoco o tempo inteiro. Não diria que esse é um sonho de consumo, mas acho que podia funcionar!

Vai ficando cada vez mais difícil não brigar com o que aí está posto. Vão se tornando nítidas as diferenças. Se até a recente pesquisa do IBGE, me parece, as pessoas tem se declarado pardas mais vezes. Ainda que não concorde com essa denominação ou característica – porque a meu ver não é uma raça – é bom perceber que as pessoas tem se assumido mais. Estamos caminhando a passos lentos. É como no trecho que inicia a peça: “de lá pra cá, chicotada, gente apertada e enjoada”.

Signo de ar

Lembro seu sorriso.
De repente um toque.
Sinto um sol inteiro com você aqui.
Preciso de muito pouco agora.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Tropicália

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz

Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país...

Viva a bossa sa, sa
Viva a palhoça ça, ça, ça, ça...

O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
O luar do sertão

O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga, estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente, feia e morta
Estende a mão...

Viva a mata ta, ta
Viva a mulata ta, ta, ta, ta...

No pátio interno há uma piscina com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina e faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis...

Viva Maria ia, ia
Viva a Bahia ia, ia, ia, ia...

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes pelos cinco mil alto-falantes

Senhoras e senhores ele põe os olhos grandes sobre mim...
Viva Iracema ma, ma
Viva Ipanema ma, ma, ma, ma...

Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça porém!
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno meu bem!
Que tudo mais vá pro inferno meu bem!...

Viva a banda da, da
Carmem Miranda da, da, da, da...

Urubus e girassóis

Seguramente faz mais de um mês que estou com esse DVD nas mãos. E olha que queria ver o filme desde ano passado. Por uma dessas “coincidências” acabei vendo hoje, tarde de feriado de 7 de setembro. O filme é O ano em que meus pais saíram de férias, enredo passado na década de 70, ou melhor, especificamente no emblemático ano 70.

É um filme interessante por diversos ângulos: é a última aparição de Paulo Autran no cinema, ainda que muito breve; não é um filme piegas, até porque não havia espaço para tal àquela época, ainda que a mídia e o governo do período pregassem o contrário. Tem Maria do Céu – que adoro –, interpretando Tropicália de Caetano. É uma história bacana, bem costurada com o modo de vida judeu, a repressão da ditadura e, lógico, o tricampeonato brasileiro pela copa de futebol.

No meio dos diálogos há uma constatação do garoto, que seria o personagem central da trama. No intervalo de uma das partidas eliminatórias, ele avisa: “o Brasil está ganhando!”. Faço dessa constatação um questionamento: E o Brasil? Está ganhando?

Hoje, ouvindo o noticiário da rádio, a matéria mais importante foram os 4 módulos policiais metralhados na madrugada. Três policiais militares feridos, fora de perigo, 3 suspeitos baleados e mortos. A cúpula da polícia fala em represália a uma transferência de um preso perigoso. Temos um cenário político envolto em neblina até às tampas, com seus atores completamente desacreditados. O poder público está desacreditado!

Sábado, há dois dias, tivemos um jogo de futebol: Brasil x Argentina, em território vizinho. 3x1 pra seleção canarinha. Na próxima quarta, 09, o baba será aqui, em Salvador, contra o Chile, acho. Mais um capítulo da política do pão e circo. O dinheiro investido no estádio não foi suficiente para melhorar a infraestrutura e, mais uma vez, as ruas de acesso ao estádio serão fechadas duas horas antes do jogo, atrapalhando o retorno pra casa de quem mora na região ou precisa passar por ali.

Mas, me diz aí: E o Brasil? Está ganhando? Podia ficar aqui gastando bits, apontando causas e motivos que passeiam pela violência, educação de baixa qualidade, desemprego, tudo entrelaçado! Então, deixando de lado a coincidência, que melhor data teria para o questionamento: E o Brasil? Está ganhando?

Imagem: Google

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mãe de sagitário

Ela diz que não se importa, que isso cansa, que cada uma que se vire. Bobagem! Com essa de ficar em repouso em casa minha mãe tá aproveitando pra exercer seu papel. Se ser mãe, por si já outorga aquela tal sensação de pertencimento, imagina só o que é ter uma mãe de sagitário? Aquele signo insuportavelmente apaixonado, entregue e visceral até a unha? Calma aí, não é uma queixa, é simplesmente uma constatação. Não sei se sua é assim, sequer se ela é de sagitário, mas a minha é capaz, ainda hoje, de nos colocar numa bolha, se sonhar perceber perigo.

A pois. Minha irmã caçula – outra sagitariana – já andava meio debilitada. Cortou carne e mais um monte de alimentos sem substituição adequada e, claro, o corpo reclamou. Quase pega uma anemia. Mãe reforça a alimentação dela todos os dias pela manhã, desde então: mingau de santo Antonio (ou de cachorro, como queiram), gemada, mastruz com leite. Afemaria!

Depois do susto que levei há dois dias indo parar na emergência, ela avisou quase em tom de ameaça: “a partir de amanhã, vai cair na gemada também!”. Não tenho problemas em tomar gemada, nem mesmo o mingau, feito de farinha, água e alho. O mesmo já não posso dizer do mastruz com leite. Isso e chá de camomila são das poucas coisas naturebas que não descem nem rezando. Mas, fazer o quê? Ordens são ordens! Ai de mim se disser que não tomo. Arma-se um drama pra núcleo da Record nenhum botar defeito.

Nem dá pra ficar aliviada com o fim do repouso ou recuperação plena. Ela vai continuar trazendo todo dia pela manhã, para mim e para minha irmã, aquelas canecas. Sempre cheias de alguma coisa. E a gente agradece!

Imagem: Sagitário em google

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Paracetamol, suco e cama

O preconceito é um sentimento interessante. Precisei de atendimento médico de emergência ontem à noite e o que tive de mais próximo e mais rápido foi o PA (pronto atendimento) de Pirajá, praticamente atrás de minha casa. Mantido pelo município o posto estava cheio, aliás, como sempre. O atendimento, contrariando minhas expectativas, foi rápido, e ainda fui assistida por um médico atencioso. Desses que olha na sua cara, pergunta, conversa e explica a você e ao acompanhante. Um milagre? Pouco provável. Acho que foi minha cara de dor mesmo!

Depois de muito papo e o aviso que se não melhorasse era prudente ir direto a um hospital, fui diagnosticada com virose, o médico me mandou para sala de medicamentos. Aliás, depois que esse termo virose caiu na seleta roda de medicina, nunca mais ninguém teve gripe forte, mal estar, nada específico. Todos somos acometidos de um mesmo mal. Não sei se o susto com o tamanho das seringas, fato é que passei mal depois da medicação. Precisei ficar mais um tempinho dentro do posto. Fiquei em observação.

Não gosto de ir a médico. Detesto remédios. Me dou bem mesmo com os chazinhos e alternativas caseiras, quase sempre naturais, da vovó. E foi, segundo o médico, o que tornou minha situação menos grave. sempre tomando chá de alho, hortelã, com limão, sem limão, uso própolis com frequência, essas coisas. Bicho grilo, mesmo. A maioria dos remédios antes de me fazerem bem, me afetam bastante.

Cá estou agora. Parada forçosamente por dois dias, pelo menos, segundo orientação do doutor Juarez. Revendo alimentação e ritmo de vida.

Imagem: google

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Como sardinha na lata

Afinal é sexta-feira. Na realidade, faz pouca diferença porque tenho aula ainda amanhã o dia inteiro de Jah. Daí tudo o que quero é chegar em casa. E eis o ponto. Literalmente. A volta para casa tem sido verdadeiro martírio. Aliás, não só voltar, mas sair também. Já falei sobre isso há pouco.

Passei por poucas cidades na vida fora de Salvador. Mas essa tortura me parece comum a alguns lugares, sobretudo entre às 17 e 21 horas. Chega ser humilhante pegar uma condução nesse período: ônibus cheios com pessoas espremidas, gente pendurada nas portas, motoristas que passam direto e não param nos pontos, trânsito carregado, quase parado, um caos! São quase duas horas fazendo um percurso que duraria, seguramente, 40 minutos.


Estranho esse sistema de transporte de massa aqui. As tarifas são altas e o serviço muito precário. Não se vê melhorias. Ainda em São Paulo, um dos lugares onde estive, tem o metrô. Desafoga, por certo, mas ainda assim, não resolve. Aqui em Salvador, essa alternativa não sai do papel há, pelo menos, vinte anos!


A meu ver, é desrespeitosa a maneira como donos de empresa e prefeitura agem em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte. Será que não há planejamento que solucione a questão? Sou a favor de fazer com que empresários e governantes façam um passeio curto de ônibus, de trem ou metrô dia desses. Uma boa sugestão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que eu também quero é sossego!

Cheguei a conclusão que sempre escolhi áreas muito concorridas, onde as pessoas precisam sempre aparecer para serem lembradas. Seja no jornalismo onde é vital estar com o networking atualizadíssimo, seja na academia em que saber onde estão os professores e fazendo o quê facilita muito a apresentação de projetos de pós graduação. Esse acirramento sempre me incomodou, embora não lembre a última vez que briguei por uma vaga de trabalho. Sem falsa modéstia, procuro ser boa no que faço. Isso me vale indicações de clientes ou professores.

Sair-se bem numa atividade qualquer não significa somente entrar, fazer seu trabalho e sair. É muito mais: é deixar sua marca. É o tipo de lembrança que vai deixar por onde passa. Seu relacionamento com as pessoas que dividem espaço com você, horas de trabalho, mais tempo que o dedicado à casa, na maioria das vezes. As coisinhas simples ensinadas pela mamãe: bom dia, boa tarde, como vai, com licença. Ser cuidadoso com o outro, ser cordial.

A equipe de trabalho também influencia, lógico. Por vezes é difícil quebrar a cultura do “puxa tapetes”. Mas, há sempre alguém que pensa em romper esse ciclo. E quando isso acontece, as coisas fluem e fica fácil chamar o trabalho de diversão!

Regrinhas de buzú

Voltei a sair de manhã cedinho. Ônibus lotado, trânsito congestionado e passageiros cada vez mais mal educados. É como se quisessem impor seus modos, seus gostos. Agora já pensou um veículo com capacidade pra levar cerca de 40 pessoas, cada um tocando uma coisa? Celulares com toques estridentes ou mesmo de mau gosto: pagodes e funks com palavrões, gritos de socorro, um horror! Será que o dono não aprendeu a mexer tão bem na configuração do próprio aparelho? Será que não sabe que existe a opção VIBRAR?

E pior: todo dia aparece alguém que resolve dividir o gosto musical com o resto dos passageiros. Alguém não, alguéns! E se ouve de tudo: de louvores a boletins informativos. Tudo ao mesmo tempo, ou melhor, no mesmo ônibus. Por que parece tão difícil entender a regrinha básica da boa convivência? Ai meu São Cristóvão!!
Imagem: Google

O céu é o limite

Agora cheguei alto mesmo. Assessorando um instituto instalado na cobertura de um dos melhores pontos da Tancredo Neves, uma das mais importante avenidas da Soterópolis. Da minha sala tenho vista para um pôr do sol quase tão bonito quanto o visto de minha casa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Se eu quiser falar com Deus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós

Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz

Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios

Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor

Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou

Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho

Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar

Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar

Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Gil

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

E tem explicação?

Um monte de reuniões desde às 9h, trânsito, pânico causado por uma paralisação momentânea de policiais militares. A idéia era simplesmente vir para casa, rir um pouco com a novela das 19h, checar umas mensagens, ler o módulo da pós, ouvir um sonzinho até dormir. Entre as matérias do noticiário local, uma nota quebrou meu planejamento e me peguei sentindo uma dor alheia. A informação que uma mulher e sua filha haviam sido seqüestradas no meio do trânsito caótico do centro da cidade, local onde, aliás, estive durante metade do dia.

Os homens levaram-nas pela BR 324, principal saída de Salvador. Abandonaram o bebê de pouco mais de um ano no carro e seguiram com sua mãe que portava documentos, cartões e afins. Fui zapeando nos intervalos, como de costume, para ver os outros noticiários. O segundo canal de TV já dava conta de noticiar que o pai fora localizado e foi encontrar a criança que dormia no banco de trás do carro. Num terceiro noticiário, encontraram o corpo de uma mulher. Voltei ao primeiro jornal e à sua confirmação cortante.

Não saberia explicar o porquê do choque. Acho até que não foi tanto o ato, quero dizer, não que banalize a violência, mas fiquei pensando nessa criança e seus últimos momentos com a mãe. Nos argumentos que ela deve ter usado a fim de proteger a filha, convencer seus assassinos a deixarem a criança para trás, os seus últimos pensamentos. Por um instante me senti sufocada numa angústia sem tamanho, mas, certamente, menor que a dor dessa família essa noite.
De todos os meus pensamentos um é recorrente: Por quê matar? A noite perdeu a graça e ganhou um não sei quê esquisito e triste.